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São 6,6 habitantes para cada moto em SC – taxa maior que no PR, RS, SP e que a média brasileira

A marca atingida por Santa Catarina em setembro representa, ao mesmo tempo, dois lados de uma discussão que não tem data para terminar. Enquanto o índice de 1 milhão de motos em circulação sinaliza um fortalecimento no poder econômico dos consumidores, o contínuo crescimento no número de veículos automotivos em todas as regiões do país evidencia uma insatisfação com o transporte público e uma incapacidade dos meios alternativos de suprir as demandas do transporte individual.

Atualmente, há uma moto para cada 6,6 habitantes de Santa Catarina. Essa é a sexta maior taxa do Brasil, e a maior do Sul do país, superando o Paraná (com 8,5 pessoas para cada moto) e o Rio Grande do Sul (9,7). Em São Paulo, Estado com a maior quantidade absoluta de motos, há 9,1 pessoas para cada veículo do tipo. No Brasil, há 9,0.

Para a professora Luciana Noronha Pereira, do departamento de Arquitetura da Univali, não há uma explicação única para a realidade catarinense. É possível, entretanto, apontar alguns indícios, como as deficiências do transporte público e o barateamento das motos zero-quilômetro.

Até mesmo a geografia de Santa Catarina é citada como um fator influenciador – são muitas cidades pequenas com pouca distância entre elas.

— É mais complicado se deslocar de moto entre bairros de São Paulo do que entre diversas cidades de SC, o que acaba incentivando o transporte individual. Além disso, cidades como a capital paulista dispõem de outras modalidades de transporte, como metrô e trem. Podem até ser ruins, ineficientes, mas existem — explica Luciana.

Crescimento começou a desacelerar em 2012

Há dez anos, Santa Catarina tinha pouco mais de 350 mil motos em circulação. Passada uma década, este número continua em ascensão, mas dá indícios de começar a desacelerar. Entre setembro de 2007 e 2008, por exemplo, foram 86,5 mil veículos do tipo a mais em SC – mais que o dobro do observado no mesmo período entre 2013 e 2014.

A diminuição no ritmo acompanha o cenário nacional. Segundo a Federação Nacional da Distribuição Automotiva (Fenabrave), foi observada uma redução de 4,08% no número de vendas no primeiro semestre de 2014, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

No terceiro trimestre deste ano, o setor observou uma queda de 7,1% frente ao terceiro trimestre de 2013, conforme a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).

— Tanto o mercado de motos quanto o de carros explodiram nos anos 2000 e agora estão saturados, mas não há como prever se haverá mais crescimento daqui para a frente. Até porque, por conta da falta de investimento no transporte público, as pessoas continuam buscando o transporte individual. Em Florianópolis, por exemplo,50% das pessoas preferem carro e moto a ônibus — analisa Werner Kraus Jr., professor no Departamento de Automação e Sistemas da UFSC.

Custo-benefício é positivo, mas desafia segurança e saúde pública

Quem depende de um transporte coletivo ineficiente mal vê a hora de se livrar dos ônibus e vagões lotados, dos veículos precários e da falta de opções durante a noite, por exemplo.

— É uma realidade influenciada tanto pela falta de políticas públicas quanto pelo desinteresse dos gestores do transporte — afirma o professor Werner Kraus.

Segundo uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas e Similares (Abraciclo) em 2012, quatro em cada dez novos motociclistas afirmaram ter adquirido o veículo para se livrar do transporte público.

Mesmo o baixo custo deixou de ser um argumento – hoje é possível adquirir uma moto simples com um investimento diário igual ou menor que o valor de duas passagens de ônibus.

— Até as propagandas gostam de mostrar como é fácil financiar uma moto usando apenas o valor das passagens — ressalta a professora Luciana Pereira.

O investimento menor, entretanto, esconde uma dificuldade extra para a saúde pública. Embora os veículos sobre duas rodas representem cerca de 23% da frota catarinense, 42% dos feridos graves nas rodovias federais do Estado (principalmente na BR-101 e a BR-470) estavam em acidentes com motos.

Segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF), são 2,6 feridos graves por dia. Nas rodovias federais, Foram 59 mortes apenas nos primeiros seis meses do ano de 2014.

:: Acidentes com motos são 60% dos atendimentos hospitalares em SC

Os dados se repetem também dentro das cidades. Estatísticas da Seguradora DPVAT mostram que, no primeiro trimestre de 2014, os motociclistas representaram 74% das indenizações pagas no país. Neste mesmo período, foram pelo menos 55 mil indenizações por invalidez permanente de motociclistas com idades entre 18 e 34 anos.

Fonte: ZH Trânsito